Aqui, partilho afectos.
E escrevo o que penso, do que gosto, do que me inspira.


quarta-feira, 25 de abril de 2012




Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes,
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!

Sophia de Mello Breyner Andreson
Pintura de Elena Tener

Amigo Aprendiz

Quero ser teu amigo,
Nem demais e nem de menos...
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te como próximo, sem medida...
E ficar sempre em tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem te tirar a liberdade,
Sem jamais te sufocar,
Sem forçar a tua vontade.
Sem falar quando for a hora de calar.
E sem calar quando for a hora de falar.
Nem ausente nem presente por demais...
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso:
É tão difícil aprender...
Por isso, eu te peço paciência.
Vou encher esse teu rosto
De alegrias, lembranças...
Dá-me tempo
De acertar nossas distâncias!

Fernando Pessoa
Pintura de Igor Levashov

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Me Encante

Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar...
Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.
Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.
Me acarinhe se quiser...
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.
Me encante com seus olhos...
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar...
E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar...
Me encante com suas palavras...
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.
Me encante com serenidade...
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.
Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.
Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva....
Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre...
Mas, me encante de verdade, com vontade...
Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias...
Pelo resto das nossas vidas...

Pablo Neruda
Pintura de Pierre Auguste Cot (1873)

A Indumentária da Feria de Abril

A indumentária é muito importante para quem vai à Feria de Abril de Sevilla, que se transforma num autêntico desfile... As mulheres vestem o típico “traje flamenco”, enquanto que os homens vestem o elegante traje dos cavalheiros espanhóis, com o tradicional “sombrero” (chapéu). As pessoas também podem passear pela Feria em cavalos ou em carruagens. Estas, na verdade, são o único meio de transporte permitido no recinto ferial.
(fotos da net)

La Feria de Abril de Sevilla

A Feria de Abril é um dos acontecimentos mais importantes de Sevilha.
É uma festa com muita tradição, que dura duas semanas com muita alegria, festa e diversão.
A primeira  Feria de Abril teve lugar a 5 de Março de 1847 por um decreto da Rainha Isabel III. No centro de Sevilha é construída um recinto ferial com uma fachada, tipo portão de entrada, que é conhecida como “ la portada”. Este ano, a sua construção foi inspirada na fachada da “Iglesia de San Salvador”. No recinto, são montadas as “casetas” ou barraquinhas coloridas e engalanadas que servem para reuniões de amigos e actividades relativas ao evento. São barraquinhas geralmente feitas de pano, com muitos adornos, como “la pañoleta” (o lenço tradicional) e cercadas por uma “barandilla” (grade).
Este ano a Feria começa hoje, dia 23 de  Abril, com a “noche del pescaíto” ( a noite do peixe frito), que consiste numa ceia de peixe frito, pão e vinho,  junto à “Portada”. Depois da ceia, tem lugar "la prueba del alumbrao", ou teste da iluminação, que é, como o próprio nome indica, o acender dos milhares de lâmpadas da “Portada” e das ruas do recinto ferial. Este ano acender-se-ão 370 000 lâmpadas. Acontece rigorosamente à meia-noite da segunda para terça-feira.
Esta é a 163ª Feira de Abril. Ir a La Feria de Abril resume-se básicamente a ir beber e comer. Apreciar o melhor da comida sevilhana ( las papas con chocos, los garbanzos con bacalao, la caldereta, chacinas ibéricas, gambas de Huelva, revueltos, salmorejo, pimientos fritos, montaditos, tortilla española, etc), degustar o seu vinho tradicional - a sidra (vino fino ou de manzanilla) ou el rebujito” (bebida feita com sidra, refrigerante e muito gelo), para além de dançar ao som das músicas típicas desta época - as sevillanas.
(fotos da net)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que
vivemos tem sentido, se não
tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa
de outro mundo.
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura...
Enquanto durar.

Cora Coralina
Pintura de Nora Kasten

Le Café Laurent

No coração de Saint-Germain-des-Prés, paredes-meias com o Hotel d’Aubusson, encontra-se um Café encantador, cheio de charme e de História - o Café Laurent.
O Café Laurent foi inaugurado em 1690 pelo Monsieur François Laurent, tendo sido na época um lugar de preferência da vida literária e artística de Paris, onde as “gentes” de letras, filósofos e escritores da “Encyclopedie” adoravam encontrar-se à volta de uma nova bebida “ l’eau de café” ou água de café.
Fontenelle, Houdar de la Motte, Rousseau e Voltaire foram alguns dos clientes intelectuais que deram a conhecer este lugar. Sobre a nova bebida, Montesquieu teria dito: “No Café Laurent há um café extraordinário que levanta a moral de quem o toma”.
Na época também se podia tomar chá das Índias, limonada, e também taças de chocolate e citrinos, dos quais se dizia que aclaravam a tez.
Em 1946, este Café torna-se célebre pelo “Le Tabou”, ponto de encontro quotidiano dos mais célebres intelectuais do pós-guerra, como Queneau, Mauriac, Camus, Sartre, entre outros.
A afluência ao Café era tanta que o proprietário criou na cave, a primeira cave-café de Paris – “Le Tabou”, onde se bebiam as primeiras “Coca-Cola”, Boris Vian tocava jazz, Juliete Greco recitava poemas de Queneau e Prévert, e cantava “Somos todos existencialistas”. Esta cave receberá mais tarde outras celebridades. Durante mais de 40 anos “Le Tabou” foi o centro da vida nocturna de Saint Germain.
Actualmente ainda é palco de concertos de jazz às quintas, sextas e sábados. Às quartas-feiras o Café organiza serões de piano/uma voz.

Le Café Laurent, 33 rue Dauphine 75006 Paris
(fotos da net)



sexta-feira, 13 de abril de 2012

"O importante não é estar aqui ou ali, mas ser. E ser é uma ciência delicada, feita de pequenas-grandes observações do quotidiano, dentro e fora de nós. Se não executarmos essas observações, não chegamos a ser: apenas estamos, e desaparecemos."

Carlos Drummond de Andrade
Pintura de Federico Olaría

quinta-feira, 12 de abril de 2012

"Não é útil esperar nada de ninguém
mas é muito bom esperar algo de nós mesmos.
Eles podem ser bons ou eles podem ser maus, não importa.
O que importa é como lidamos com isso.
E sempre será difícil, porque se não fosse difícil
não haveria o que aprender."

Brahma Kumaris
Pintura de Marcela Kaspar

quarta-feira, 11 de abril de 2012

PomPom e os Coelhinhos Brancos - O Meu Livro



Em finais de 2010 escrevi o meu primeiro livro, uma história que eu inventei para o meu filho quando era pequenino.

Trata-se da história do coelhinho PomPom, um coelhinho diferente pois tem uma cor diferente dos restantes amiguinhos. Pompom com a sua coragem e o seu bom coração, conseguiu que os outros coelhinhos o vissem como igual. Uma história que pretende transmitir a todas as crianças o significado de sermos ‘todos iguais, todos diferentes’. Para a ilustração deste meu livro contei com a preciosa colaboração e enorme talento do meu grande amigo, o pintor espanhol José Requena Nozal, a quem agradeço do fundo do coração por ter contribuído para a concretização deste meu sonho.

Encontra-se à venda no Sítio do Livro online e também na Leya.

domingo, 8 de abril de 2012

"O destino é uma pequena questão de escolha..."

Augusto Cury
Pintura de Jacqueline Penney

sábado, 7 de abril de 2012

O chocolate em Versailles



Quando o chocolate chega a França, levado pelos conquistadores espanhóis, é reservado à nobreza e alta burguesia. Os Reis e Rainhas de França, de Luis XIII a Marie-Antoinette, apreciam bastante esta bebida quente, que faz furor na Corte. Reconhecido pelas suas virtudes fortificantes, afrodisíacas ou energéticas, o seu consumo aumenta ao longo dos séculos, antes de se democratizar no período da revolução industrial.
O chocolate foi introduzido em França em 1615, aquando do casamento de Louis XIII et Ana d’Austria em Bayonne. Mas a iguaria, em todas as suas formas, entrou nos hábitos culinários de Versailles no reinado de Louis XIV, que popularizou o seu consumo na Corte. No entanto, é no reinado de Louis XV, no século seguinte, que o chocolate se torna indispensável, pois o Rei era um grande amante da bebida feita com o cacau. Ao ponto de, ele próprio a confeccionar na cozinha dos seus aposentos. A sua receita ficou famosa e atravessou várias época, tornando-se num clássico incontornável.
Em 1770, quando Marie-Antoinette casa com Louis XVI, chega à Corte de Versailles com o seu próprio "chocolatier", ao qual os reis deram o título oficial de "Chocolatier de la Reine", ou seja, o Chocolateiro da Rainha, o qual inventa novas receitas, misturando o chocolate com a flor de laranjeira ou com a amendoa doce. Mas o chocolate só se democratiza no séc. XIX, com a aparição das grandes fábricas, com nomes célebres como o inglês Cadbury ou le francês Menier.
Texto e foto retirados do site oficial do Chateau de Versailles
Tradução feita por mim
www.chateauversailles.fr

sexta-feira, 6 de abril de 2012

"E se me perguntarem como estou, eis a resposta: Estou indo.
Sem muita bagagem. Pesos desnecessários causam sempre dores desnecessárias."

Caio F. Abreu
Pintura de Jacqueline Penney

Semana Santa em Sevilha


Desde o Domingo de Ramos até ao Domingo de Páscoa, Sevilha vive imersa na tradição da Semana Santa, um dos eventos mais esperados do ano em Sevilha, sempre vivido com muita paixão e veneração. Uma festa religiosa que conta com o apoio de toda a população, que sai às ruas para ver passar as imagens Santas, em procissões que ocorrem por toda a cidade.
Sevilha tem 59 irmandades, das quais a maioria dos sevilhanos fazem parte. As confrarias e irmandades sevilhanas recorrem a cidade a passos lentos, repetindo ano após ano, uma tradição que data do século XIV. São procissões com pequenas capelas, andores, imagens, nazarenos, que acontecem durante o dia e a noite, além das confrarias que saem na madrugada da Sexta-feira Santa (a Madrugá).
Uma multidão de penitentes acompanha as procissões, e nas ruas, milhares de pessoas disputam espaço para as ver passar, sempre com muita paixão, emoção e respeito.

(imagens da net)

"Madruga" em Sevilha

Adoro Sevilha. Costumo dizer que tenho uma costela andaluza... a realidade é que sinto por Sevilha um carinho muito especial. Neste momento estou a ver em directo, através da Giralda Tv, as procissões da "Madruga" em Sevilha. Lindas! Únicas! Como única é toda a Semana Santa em Sevilha....

quinta-feira, 5 de abril de 2012

“Hoje eu queria ler uns livros que não falassem de gente, mas só de bichos, de plantas, de pedras: um livro que me levasse por essas solidões da Natureza, sem vozes humanas, sem discursos, boatos, mentiras, calúnias, falsidades, elogios, celebrações...
Hoje eu queria apenas ver uma flor abrir-se, desmanchar-se, viver sua existência autêntica, integral, do nascimento à morte, muito breve, sem borboletas nem abelhas de permeio. Uma existência total, no seu mistério (e antes da flor? - não sei) (e depois da flor? - não sei). Esta ignorância humana. Este silêncio do universo. A sabedoria.
Hoje eu queria estar entre as nuvens, na velocidade das nuvens, na sua fragilidade, na sua docilidade de ser e deixar de ser. Livremente.”

Cecília Meireles in Janela Mágica
Pintura de Vladimir Volegov


Os Ovos de Páscoa de Fabergé

A tradição dos ovos de Fabergé começou em 1885, quando o Czar Alexander III, da Rússia, procurou o mais famoso joalheiro da corte, Peter Carl Fabergé, e encomendou um ovo de páscoa para dar de presente à Czarina Marie Feodorovna. No ano seguinte fez a mesma coisa e assim continuou fazendo até à sua morte. Desse modo formou-se a fabulosa colecção de 56 ovos de Páscoa, famosa no mundo inteiro.
Fabergé era a mais importante joalheria existente na Rússia ao final do século XIX e início do século XX. Era a essa joalheria, que levava o nome do seu dono e principal artista, que os Czares russos encomendavam a confecção de ovos de páscoa para serem oferecidos por ocasião da festa.
Eram jóias muito sofisticadas e de enorme valor, feitas em ouro, diamantes e pedras preciosas, aludindo aos tradicionais ovos de páscoa. Eram feitas com grande capricho, procurando superar-se em cada ano.
Cada jóia levava um ano inteiro a ser preparada, desde o desenho original, o corte, a lapidação das pedras e todos os detalhes, envolvendo diversos artistas, sempre com a supervisão e aprovação final de Fabergé.
O último dos ovos foi feito em 1917, data da revolução russa.
(foto da net)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O Jantar dos Reis em Versailles

O Rei Louis XIV e a Rainha jantavam todos os dias às 22 horas. À mesa, somente os soberanos, seus filhos e netos. Na mesma sala, um público imenso assistia, todos os dias, ao jantar do Rei. Na primeira fila, alguns bancos para as Duquesas. Os outros membros da corte ficavam em pé. Esta cerimónia chamava-se Le Grand Couvert e foi criada por Louis XIV que a considerava uma manifestação da sua soberania.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Annick Goutal

Eu adoro Perfume. É uma das minhas grandes paixões. E em Paris há uma Casa de Alta Perfumaria que visito sempre – Annick Goutal.
Annick Goutal cria perfumes únicos, na tradição da alta perfumaria de antigamente. Os seus perfumes evocam gentes, paisagens, instantes, emoções… são simplesmente maravilhosos.
Fica no nº 74, Avenue des Champs-Elysées, Paris 75008
Galeries du Claridge
(foto da net)
Depois que cansei de procurar, aprendi a encontrar...
Depois que um vento me opôs resistência, velejo con todos os ventos.

Friedrich Nietzsche
Pintura de Jacqueline Penney

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Restaurante Chez Francis

Chez Francis é um excelente restaurante tradicional parisiense. Para além de uma localização privilegiada, perto da Avenue des Champs Elysées, na Place de L’Alma, de frente para a Torre Eiffel, este restaurante faz-nos sentir no Paris de antigamente, chic e elegante. A cozinha é clássica, de brasserie. A sua magnífica esplanada é o local ideal para tomar uma taça de champagne como aperitivo, com vista para a Tour Eiffel.
Chez Francis está aberto todos os dias, o ano todo.
Chez Francis, 7 Place de L'Alma 75008 Paris
http://www.chezfrancis-restaurant.com/

Elegância

A elegância não se explica. Constata-se apenas. É alguma coisa de incoercível. Alguma coisa de impreciso, de fugitivo e de imaterial, que escapa a toda a definição e que resiste a toda a análise. Como a beleza, é mais difícil dizer onde está, do que onde não está. Como o perfume, sente-se e não se vê.
Todos percebem onde a elegância falta, e ninguém sabe dizer de onde ela vem. Quando tentamos defini-la, precisá-la, isolá-la, foge-nos entre os dedos, como uma sombra. Onde existe transforma tudo. Onde não existe, não há arte, não há talento, não há beleza que a substitua. Não é um dom que se adquire, é um instinto com que se nasce.

Julio Dantas
Pintura de Vladimir Volegov