Aqui, partilho afectos.
E escrevo o que penso, do que gosto, do que me inspira.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

O essencial é saber ver...




O essencial é saber ver,
mas isso, tristes de nós que trazemos a alma vestida,
isso exige um estudo profundo,
aprendizagem de desaprender.
Eu procuro despir-me do que aprendi,
eu procuro esquecer-me
do modo de lembrar que me ensinaram,
e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
desembrulhar-me,
e ser eu.

Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa
Pintura de Vladimir Volegov

terça-feira, 26 de junho de 2012

Livros...




Os livros têm perfume
que não é de homem ou de mulher
e nem sequer é parecido
com outro perfume qualquer;
É um perfume sem nome,
não é de flor ou maresia,
mas tem o aroma secreto
que existe na poesia.

José Jorge Letria
Pintura de Van Gogh


segunda-feira, 25 de junho de 2012


"A felicidade muda de significado várias vezes durante o percurso de uma vida..."

Pintura de Monet - Parc Monceau

Aprendi...


Aprendi a não guardar dor nem mágoa no meu coração, apesar de tudo. Aprendi a aceitar todos os desafios que a vida me faz, com um sorriso de vitória e com a coragem de quem sabe que os vai ultrapassar.
Aprendi a aproveitar o dia de hoje, a viver um dia de cada vez sem pressa e a não pensar muito no amanhã.
Aprendi a ter confiança em Deus e nos planos que ele tem para mim, e a aceitar que se estou a sofrer hoje, se não tenho tido sorte, é porque me estou a preparar para receber algo grandioso amanhã.
Aprendi a olhar para o passado como pequenas lições de vida, com pequenas marcas de carácter que fizeram de mim a mulher que sou.
Aprendi que o amor não tem de vir de outra pessoa, que eu tenho que gostar de mim, e que a felicidade só pode partir de mim e não de alguém exterior ao meu pequeno mundo.
Aprendi a ter coragem e a aceitar os desafios com garra, sem medo, e a nunca me deixar ficar pelo caminho. Sou a heroína da minha história, e sei que vou ter o meu final feliz...

Pintura de Nora Kasten

sexta-feira, 22 de junho de 2012



“Nem tudo que se enfrenta pode ser modificado,
mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado..."

(James Baldwiin)
Pintura de Edward Hopper

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Château de Chantilly


O Château  de Chantilly é um dos mais bonitos castelos da região de Paris. Foi desenhado por Le Nôtre y está rodeado por um lago e bonitos jardins. Alberga o Museu Condé, nome que corresponde ao mais famoso dos seus proprietários, Le Grand Condé.
No Petit Château, datado do séc. XVII , estão os apartamentos da Princesa e uma biblioteca fabulosa, cheia de manuscritos preciosos. No Grand Château, destruído durante a revolução e reconstruído em estilo renascentista no séc. XIX, existe uma estupenda colecção de quadros de Rafael, Clouet, Ingres, Corot e Delacroix, para além de porcelanas e jóias.
Frente ao célebre hipódromo há umas quadras do séc. XVIII convertidas no Musée Vivant du Cheval (o Museu Vivo do Cavalo), que trata do mundo do cavalo: arte, trabalho, desporto…
Agora uma curiosidade… Em 1671, quando o Rei Louis XIV visitou Chantilly, convidado pelo Grand Condé, Vatel, o mais famoso dos Chefs da época, suicidou-se porque o peixe que tinha encomendado para o evento, não chegou a tempo.
O Château de Chantilly fica em Chantilly, a 40 Km a norte de Paris.
(Fotos da net)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O ron-ron do gatinho


O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.
Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.
É um motor afectivo
que bate em seu coração
por isso ele faz ron-ron
para mostrar gratidão.
No passado se dizia
que esse ron-ron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.
Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ron-ron em seu peito
não é doença - é carinho…

Adriana Calcanhoto
Na foto, a minha gatinha Blanche

quinta-feira, 14 de junho de 2012


O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama,
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

Alberto Caeiro (Heterónimo de Fernando Pessoa)
Pintura de Vladimir Volegov

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Santo António, O Santo de Lisboa

Lisboa celebra hoje o seu Santo mais querido - Santo António, por isso, hoje em Lisboa é feriado municipal. Santo António nasceu em Lisboa. Não importa se ele passou os últimos anos da sua vida em Pádua. Para os lisboetas, Santo António... é o Santo de Lisboa.
Fernando de Bulhão, ou Santo António como ficou imortalizado para sempre na história da capital portuguesa, nasceu em Lisboa, provavelmente a 15 de Agosto de 1195, numa casa onde mais tarde se ergueu a igreja em sua honra.

Os seus primeiros estudos foram feitos na Sé de Lisboa e abraçou a vida religiosa em S. Vicente de Fora. Foi ordenado sacerdote no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, e trocou o nome para António em 1220. É por essa altura que viaja para Marrocos. Passado um ano, quando regressava de barco a Portugal, uma forte tempestade arrastou-o para Itália, onde ficou para sempre.São Francisco convocou-o em 1221 para o Capítulo Geral da Ordem e ali, ele revelou os seus talentos de orador a pregar perante os seus confrades. Foi convidado a ensinar teologia nas escolas franciscanas de Bolonha, Montpellier e Toulouse, e foi nomeado ministro provincial no Norte da Itália, em 1227. Prosseguiu a sua carreira académica em Pádua, cidade onde viria a morrer em 13 de Junho de 1231. Foi proclamado doutor da Igreja pelo papa Pio XII, em 1946.

Todos os anos, a 13 de Junho, a cidade de Lisboa pára. Lisboa tem orgulho no seu Santo e na tradição. E, na tarde do dia 13 Lisboa assiste a uma procissão cheia de fé e tradição, que sai da igreja de Santo António e percorre algumas ruas de Lisboa. Mas, associado ao Santo António está também a sua característica casamenteira. Os anos 50 e 60 marcaram uma tradição que teve grande acolhimento popular na cidade de Lisboa: "As Noivas de Santo António". A iniciativa era patrocinada pelo jornal Diário Popular e por alguns comerciantes que ofereciam a indumentária para a boda.
Actualmente, a Câmara de Lisboa retomou esta velha tradição, que perpetua a marca casamenteira de Santo António e todos os anos se celebram, com o seu patrocínio, dezenas de casamentos.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Marchas de Lisboa



Na noite de Santo António (12 para 13 de Junho), Lisboa sai à rua para o desfile das Marchas Populares dos Bairros Típicos de Lisboa. Tradicionalmente, este desfile é na Avenida da Liberdade, entre o Marquês de Pombal e os Restauradores , onde  as Marchas, numa explosão de cor e alegria, fazem as suas coreografias de danças e cantares.
As Marchas tiveram início em  1932,  a partir de uma ideia de Leitão de Barros, realizador de cinema e promotor cultural, como resposta a uma encomenda do director do Parque Mayer, Campos Figueira, para criar em Junho desse ano um espectáculo capaz de prender a atenção do povo de Lisboa.

As Marchas foram então transpostas para o cinema,  no filme “A Canção de Lisboa” de Cottinelli Telmo em 1933, tendo como protagonistas Vasco Santana e Beatriz Costa.


O manjerico



“O manjerico comprado
Não é melhor que o que dão.
Põe o manjerico ao lado

E dá-me o teu coração.”

Fernando Pessoa, in Quadras ao Gosto Popular

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Lisboa está em Festa!

Junho é o mês das Festas de Lisboa. Lisboa está em Festa!
A música popular, as marchas, o manjerico, o fado, a sardinha assada, o chouriço na brasa e o caldo verde marcam presença nestas festas.
Em Junho, a Festa instala-se nos bairros lisboetas e convida a todos a viver Lisboa.

Fotos da net

Sou um barco


Sou barco abandonado
Na praia ao pé do mar
E os pensamentos são
Meninos a brincar.
Ei-lo que salta bravo
E a onda verde-escura
Desfaz-se em trigo
De raiva e amargura.
Ouço o fragor da vaga
Sempre a bater ao fundo,
Escrevo, leio, penso,
Passeio neste mundo
De seis passos
E o mar a bater ao fundo.
Agora é todo azul,
Com barras de cinzento,
E logo é verde, verde
Teu brando chamamento.
Ó mar, venha a onda forte
Por cima do areal
E os barcos abandonados
Voltarão a Portugal.

António Borges Coelho
Pintura de Van Gogh

domingo, 10 de junho de 2012

10 de Junho - Dia de Portugal

No dia 10 de Junho celebramos o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
O 10 de Junho nasceu com a República quando Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em honra de Camões.
Camões representava o génio da pátria, representava Portugal na sua dimensão mais esplendorosa e mais genial e era este o significado que os republicanos atribuíam ao 10 de Junho.
O 10 de Junho, dia de Camões, começou a ser festejado a nível nacional com o Estado Novo, um regime instituído em Portugal em 1933, sob a direcção de António de Oliveira Salazar.
O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é pois um tributo à data do falecimento de Luís Vaz de Camões em 1580, é utilizada para relembrar os feitos passados do povo lusitano e também os milhões de Portugueses que vivem fora do seu país natal.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Esta Lisboa que eu amo...


Nesta Lisboa que eu amo
Sinto o mar em cada esquina
Esta Lisboa tem ondas
No andar de uma varina
Cidade tão antiga, cidade amiga
Modesta e bela
Varia com as marés
E tem o Tejo a seus pés
A chorar de amor por ela...

Palavras de uma canção portuguesa
Fotos do meu amigo Luís Vieira

Se o tempo voltar



Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.

 Cecília Meireles
Pintura de Vladimir Volegov

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Hotel Le Meurice


Em frente ao Jardin des Tuileries, entre a Place de la Concorde e o Musée du Louvre, encontra-se o mais tradicional e glamouroso de todos os hotéis -palácios de França, o Le Meurice.
Augustin Meurice, então chefe dos correios na cidade de Calais, no norte da França, observou que, ao desembarcarem no continente francês, os turistas ingleses procuravam um certo conforto e as mesmas comodidades com as quais estavam habituados. Foi a pensar nesse público que, em 1777, ele inaugurou o hotel que tem o seu nome de família.

 Não demorou muito para Augustin ter a idéia de levar o negócio para Paris, que vivia o auge de sua efervescência cultural. Mas foi só 58 anos depois, em 1835, que o Le Meurice  se instalou  no seu endereço actual,  um prédio novo, luxuoso e com a melhor vizinhança que se pode esperar na capital francesa. Ali se hospedavam reis, aristocratas, artistas e escritores, e  muitos o utilizavam como segunda residência. Mas foi, sem dúvida, o pintor espanhol Salvador Dalí o mais marcante de seus hóspedes, pois durante 30 anos, um mês por ano, vivia no Hotel..

 Sempre foi um ponto de referência, não apenas pela qualidade dos serviços prestados, o refinamento dos quartos e dos salões, mas principalmente pela excepcional  localização, em pleno coração de Paris. Ao longo de sua existência, o hotel passou por quatro reformas . O edifício foi sendo  modernizado sem perder o charme de local antigo, repleto de história.E continua valorizando a sua marcante arquitectura do século XVIII, conservando toda a sua elegância e glamour, mas com ar acolhedor.

O chef parisiense Yannick Alleno, responsável pelos dois restaurantes do hotel desde 2003, pensou num menu informal e descontraído, onde é possivel degustar pratos clássicos franceses, repaginados de maneira glamourosa a  qualquer hora do dia – das 7 da manhã às 11 da noite. Baseado na sua criatividade e numa clientela parisiense, elaborou um menu contemporâneo, mas com um olhar no passado. Alleno apresenta pratos clássicos como a salada tipo frisée com bacon e ovo poché ou o fígado de vitela poelé. E também opções criativas como o carpaccio de vieiras, com vinagrete de beterraba e ervas frescas.  Nas sobremesas, destacam-se a tarte tatin de maçã com amêndoas fatiadas, e o macaron recheado com violetas cristalizadas e morangos silvestres.

 Na decoração do Le Meurice, restaurante de alta gastronomia que tem três estrelas no Guia Michelin, a inspiração foi o Salon de La Paix, do Château de Versailles, com móveis prateados em perfeita harmonia com todo o dourado remanescente. Foi construída também uma nova adega envidraçada através da qual o cliente pode decidir qual o vinho vai escolher sob a orientação do sommelier que acompanha a sua refeição.
A cozinha é essencialmente parisiense, mas também tem inspiração de outras regiões francesas. A apresentação dos pratos é sempre moderna e audaciosa e o refinamento está em cada uma de suas criações.

Hotel Le Meurice
228, Rue de Rivoli, 75001, Paris


domingo, 3 de junho de 2012

"Lar é onde se acende o lume e se partilha mesa e onde se dorme à noite o sono da infância.
Lar é onde se encontra a luz acesa quando se chega tarde.
Lar é onde os pequenos ruídos nos confortam: um estalar de madeiras, um ranger de degraus, um sussurrar de cortinas.
Lar é onde não se discute a posição dos quadros, como se eles ali estivessem desde o princípio dos tempos.
Lar é onde a ponta desfiada do tapete, a mancha de humidade no tecto, o pequeno defeito no caixilho, são imutáveis como uma assinatura conhecida.
Lar é onde os objectos têm vida própria e as paredes nos contam histórias.
Lar é onde cheira a bolos, a canela, a caramelo.
Lar é onde nos amam."

Rosa Lobato Faria
Pintura Regina y Schwingel