Aqui, partilho afectos.
E escrevo o que penso, do que gosto, do que me inspira.


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Brinde a uma amizade



Queria ter na boca o verbo certo
e nas veias um poema bem feitinho,
só para te dizer o quanto é importante,
a tua companhia constante em meu caminho.
Ah! Se meus sentimentos fossem coloridos
e se incandescessem a cada palavra tua,
o céu não precisaria mais de sol
e a noite não ficaria mais sem lua.
E se, por descuido, a chuva caísse,
misturando as cores e fazendo o céu cinzento,
com trovões se arrebentando barulhentos
e relâmpagos azuis cortando o firmamento,
eu te diria: não tenhas medo,
eles estão de passagem,
vieram só brindar à nossa amizade.

Rosa Berg
Pintura de Garmash

quinta-feira, 30 de agosto de 2012



Amei demais. Sempre demais. E o que dei
está espalhado pelos sítios onde vais
e pelos anos longos, longos, que passei
à procura de ti. De mim. De ninguém mais.
E os milhares de versos que rasguei
antes de ti, eram perfeitos. Mas banais.

Joaquim Pessoa, in “Ano Comum”
Pintura de Carolina Landea

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Os Pastéis de Belém


Os Pastéis de Belém que são os docinhos mais emblemáticos de Lisboa completam 175 anos neste ano de 2012. A sua receita é única em todo o mundo. Para além de juntar os ingredientes certos nas quantidades certas, a arte destas pequenas delícias vive muito na confecção segundo os métodos tradicionais - apenas mãos cuidadosas e talentosas!
Tal como grande parte da doçaria portuguesa, os Pastéis de Belém estão ligados a raízes conventuais. Diz a lenda que havia um confeiteiro, dono de uma refinaria de açúcar - Domingos Rafael Alves -, que se tornou amigo de um pasteleiro que trabalhava no Mosteiro dos Jerónimos. Com a revolução de 1820, desapareceram muitas ordens religiosas, deixando monges e freiras desalojados e muitos trabalhadores desempregados.
Foi nessa altura que o confeiteiro contratou o pasteleiro - detentor da receita dos pastéis, o homem que impulsionou verdadeiramente a loja de Domingos Rafael e a única fábrica de Pastéis de Belém!
Entretanto, por trás da fachada da refinaria, o pasteleiro trabalhava até de madrugada, tendo a patente da receita sido registada um pouco mais tarde e mantida em segredo até hoje.
À medida que a produção foi aumentando, a necessidade de mais trabalhadores foi-se tornando uma séria preocupação. A possibilidade de haver uma fuga de informação era algo que não podia de maneira nenhuma acontecer, razão pela qual se optou por escolher o novo pasteleiro entre o pessoal da empresa - neste caso, tinham que trabalhar na empresa há pelo menos 25 anos e tinha que ser alguém em quem a empresa confiasse. Mesmo assim, tinham que fazer um voto e assinar um acordo em que se comprometiam a não revelar o segredo dos pastéis. Se quebrassem o acordo, veriam as suas propriedades expropriadas e até podiam ir parar à prisão. Felizmente, nunca ninguém o quebrou e o segredo mantém-se dentro das paredes da fábrica.
Podem comer-se pastéis de nata em muitos cafés, mas nenhum terá o sabor do original, especialmente quando ainda vem quentinho e é servido com açúcar em pó e canela. Mas, mesmo frios, continuam a ser incrivelmente deliciosos.
E saiba que pode levá-los consigo. Embalados em caixinhas com o logotipo da fábrica, vêm com pacotinhos de açúcar em pó e canela, para que não perca nada! Antes de sair da fábrica, preste atenção à sua volta - ficará encantado com os painéis de azulejos que encontra em algumas das cinco salas abertas ao público.
Actualmente, a fábrica produz cerca de 14 mil pastéis por dia.

 
 
 

Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem nunca teve nenhum.
Agarra um raio de sol
e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive na sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
e dá-o a conhecer ao Mundo…

 
Mahatma Gandhi
Pintura de Marina Dieul

 

 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Sábio



Aquele que conhece os outros é sábio.
Aquele que se conhece a si mesmo é iluminado.
Aquele que vence os outros é forte.
Aquele que vence a si mesmo é poderoso.
Aquele que conhece a alegria é rico.
Aquele que conserva o seu caminho tem vontade.
Sê humilde, e permanecerás íntegro.
Curva-te, e permanecerás erecto.
Esvazia-te, e permanecerás repleto.
Gasta-te, e permanecerás novo.
O sábio não se exibe, e por isso brilha.
O sábio não se faz notar, e por isso é notado.
O sábio não se elogia, e por isso tem mérito.
E, porque não está competindo,
ninguém no mundo pode competir com ele.

Lao Tse
Pintura de Vladimir Gusev

quarta-feira, 22 de agosto de 2012


Você é aquilo que ninguém vê.
Uma colecção de histórias, memórias,
Dores, delícias, pecados,
bondades, tragédias…
E sucessos, sentimentos e pensamentos.
Definir-se é limitar-se.
Você é um eterno parênteses em aberto,
enquanto a sua eternidade durar...

Machado de Assis
Pintura de Steve Hanks

Le Château de Vaux-Le-Viconte


Este castelo, autêntica jóia arquitectónica, serviu de inspiração para a construção do Château de Versailles, e é chamado de o “pequeno Versailles”, mas, ao seu proprietário, Nicolas Fouquet, custou-lhe a sua liberdade e, por fim, a própria vida. O rei apreciava-o muito pela sua habilidade em assuntos financeiros, mas… ele atreveu-se a superá-lo.
Fouquet tinha um gosto requintado e reuniu para a construção do castelo, os melhores artistas da época: Le Vau, para a construção, Le Brun para a decoração e Le Nôtre para desenhar os jardins. O Rei Louis XIV foi convidado para a festa de inauguração , em 1661, uma das mais belas festas do séc.XVII,  mas não gostou nada que lhe fizessem sombra. Quinze dias mais tarde mandou prender Fouquet, que passou o resto da vida na prisão, enquanto o rei contratava os mesmos artistas para que lhe construíssem um palácio insuperável: Versailles.
O castelo está construído sobre um terraço que domina os jardins, canais, lagos e pontes, e oferece uma vista espectacular.
O castelo pode ser visitado e tem um museu – Le Musée des Equipages, dedicado às carruagens puxadas por cavalos.
O Château de Vaux-Le-Viconte fica situado a 51 Km a sudoeste de Paris, no Domaine de Vaux-Le-Viconte, 77950 Maincy




''Quanto mais me despedaço, mais fico inteira e serena...''

 Cecília Meireles
Pintura de Vicente Romero Redondo

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Stohrer, a mais antiga Pâtisserie de França


Em 1725, Louis XV casou-se com a princesa Marie Leszczynska, filha do rei da Polónia, Stanislas Leszczynski. O seu pasteleiro oficial, Stohrer, deixa Lorena, sede da corte, e segue para Versailles acompanhando a futura rainha da França. Cinco anos mais tarde, estabelece-se no número 51 da Rue Montorgueil, e abre uma Pâtisserie (pastelaria) cuja especialidade seria o  “Baba au Rhum”.
A origem deste doce  deve-se  justamente  ao rei da Polónia Stanislas Leszczynski, sogro de Luís XV, que pede ao seu pasteleiro, Nicolas Stohrer, para embeber um brioche  numa calda, por achá-lo muito seco. A calda foi feita com vinho de Málaga perfumado com açafrão, servido com creme de baunilha e salpicado com passas. O nome escolhido para o doce foi inspirado em Ali-Babá, herói de um dos contos do livro As Mil e Uma Noites e personagem favorito do rei.
Os murais da pastelaria foram realizados em 1864 por Paul Baudry, artista que decorou, entre outros o Foyer da Ópera Garnier de Paris.
A Stohrer é hoje a mais antiga pastelaria de Paris e permanece no mesmo endereço.

STOHRER - Pâtissier Traiteur
51, rue Montorgueil, 75002 Paris



segunda-feira, 20 de agosto de 2012


Sou mestre na arte de falar em silêncio.
Toda a minha vida falei calando-me,
e vivi em mim mesmo tragédias inteiras
sem pronunciar uma palavra.

Fiódor Dostoiévski
Pintura de Kent Wallis

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Restaurante "Au Vieux Paris D'Arcole"



Pertinho da Catedral de Notre Dame, no coração do Marais, fica um restaurante cheio de história e tradição: Au Vieux Paris d’Arcole. O seu edifício foi construído em 1512, aquando da construção da Catedral e foi residência de um dos Papas de Avignon, Clément VIII, tendo sido posteriormente  vendido pelo Bispado em 1723 para se tornar num Bar.
Hoje é um  restaurante cheio de charme e tradição, com sete salas barrocas onde predomina o vermelho, e onde podemos apreciar a verdadeira arte da boa mesa.
De entre as especialidades que nos são apresentadas, destaco as coquilles Saint-Jacques farcis (vieiras recheadas), uma verdadeira delícia.

Restaurante "Au Vieux Paris D’Arcole"
24, Rue Chanoinesse, 75004 Paris


A grande arte da vida é acordar depois de um sonho, levantar depois de um tombo, sorrir depois de uma decepção, e nunca desanimar… 

Pintura de Dima Dmitriev

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Divagação...


Não nascemos felizes… eu aprendi a ser feliz. Aprendi a dar valor a cada manhã, a cada afecto, a dar valor a tudo o que tenho. Aprendi a ver para além do horizonte, e a espalhar alegria, sorrisos, ternura, carinho… sempre tranquila, paciente, confiante, intuitiva…
Aprendi a sentir-me em paz, eliminando da minha vida o que sobrava, aceitando a minha realidade e recebendo o carinho de quem a partilha comigo. Aprendi a viver devagar, suavemente, entre sensações e aprendizagem contínua, entre agradecimentos e dores, entre seres que me iluminam com a sua existência, entre inícios e descobertas maravilhosas, entre danças sem ritmo, entre ritmos de loucura que não necessitam marcar passo, até um longo etcétera, somando vida…
Aprendi a aceitar-me e a viver bem comigo mesma, como sou, sem necessidade de ser alguém especial, porque na realidade, todos o somos…
 
 
 Pintura de Alexander Averin

sexta-feira, 10 de agosto de 2012


É curioso não saber dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto, como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo...
Clarice Lispector
Pintura de Joan Marti

quarta-feira, 8 de agosto de 2012



Sou a criança e o sonho
do lado de fora da vida
alguém que quer e não sabe
esgotar até à última gota
a gota que me é devida.
 
 
Luiza Caetano
Pintura de Donald Zolan

terça-feira, 7 de agosto de 2012


Adoro viajar neste barco à deriva em que se transformou a minha vida. Sem bússula e sem mapas - mas também sem medo e sem pressa - e isso faz toda a diferença. Para escrever o meu destino, aprendi a ler os sinais que vêm do céu, e os sinais que vêm das ondas... e se até hoje não me afundei, nunca mais me afundarei.

Edson Marques
Pintura de Yuri Krotov

A caixinha porta-retratos de Louis XIV

Em 25 de Fevereiro de 2009, no decorrer de uma venda da fabulosa colecção privada do falecido Yves Saint-Laurent, na sala Christie's de Paris, no departamento de Objectos de Arte do Museu do Louvre, encontrava-se uma importante e raríssima caixinha porta-retratos (retratos em miniatura) de Louis XIV. Estimada por um valor inicial de 200.000 a 300.000 €, foi finalmente adquirida por 481.000 €uros.
Com 7,2 cm de altura, a caixinha é composta de um retrato miniatura do rei Louis XIV numa moldura oval decorada com 10 diamantes talhados em rosa e mais 40 pequenos diamantes, terminando com uma coroa real composta de 5 diamantes de 9 facetas e 23 diamantes mais pequenos. Esta autentica e preciosa jóia composta por 78 diamantes de diversos tamanhos, serve de moldura incomparável para un retrato real esmaltado atribuído ao pintor Jean Petiot (1607-1691), enquanto que a moldura se deve ao joalheiro e ourives Pierre ou Laurent Le Tessier de Montarsy.
Originalmente, as caixinhas de retratos eram concebidas para ofertas diplomáticas em todas as cortes europeias. Sabe-se actualmente que foram fabricadas mais de 300 caixinhas destas, no decorrer do reinado de Louis XIV, mas muito poucas terão chegado aos nossos dias.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Palavras e silêncios



É fácil trocar palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro a outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança lá no fundo...

Fernando Pessoa
Pintura de Pino Daeni


Primeiro vem a chuva… e depois o arco íris…
Temos que nos acostumar, porque a ordem é mesmo essa…

 (imagem da net)



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Há sonhos que devem permanecer nas gavetas, nos cofres, trancados até o nosso fim. E por isso, passíveis de serem sonhados a vida inteira...

Hilda Hilst
Pintura de Royo

quarta-feira, 1 de agosto de 2012


Hoje não é dia para fazer nada do que estou habituada.
Não é dia de perdurar, nem de acalmar as hostes.
Nem de orar. Nem de sair.
Nem de desabafar.
Hoje, não é para me recostar ao sol,
Nem para rasgar a voz,
Nem para bradar aos céus.
Hoje não é para correr, hoje é para parar.
Quieta. Assim. Triste. Pois é.
É dia de ficar, ficar simplesmente
Na imensidão do mundo e pairar.
Hoje é dia de olhar o tempo, adorar o infinito.
E de deixar o coração bater, sòmente...

Pintura de Pino Daeni