Aqui, partilho afectos.
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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Um dia...


Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã, acordarei entre os teus braços. A tua pele será talvez demasiado bela, e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
Um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da nossa janela. Sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar a perfeição da felicidade.

José Luís Peixoto, in “A criança em ruínas”

Pintura de Garmash

6 comentários:

  1. Lindo texto..queria me transportar para ele.
    Abraços.Sandra

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  2. Para que palavras nessa hora, pois não?
    Silêncio agora dirá muito mais.
    Linda escolha querida Lita, sonhamos daqui.
    Grande beijo em seu doce e amigo coração.
    Felicidades amiga querida.

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  3. Lita,

    Como não penso mais em Um Dia, deixo tudo rolar, se acontecer, que bom, ficarei muito contente.

    Beijos

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  4. Que lindo Lita.
    A felicidade é mesmo perfeita!

    Beijos
    Ani

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